
«Tic Tac, Tic Tac» ouvia-se no quarto da Maria João. Estava prestes a tocar o despertador, para um novo dia.
Maria João, tinha-se mudado há bem pouco tempo para o Porto, tinha vindo de Londres, onde vivera os seus 14 anos. Na verdade era uma rapariga portuguesa, porém os seus pais tinham-na levado para lá quando ela ainda era pequena, mas por questões de trabalho, decidiram voltar.
Hoje ela iniciará um novo capítulo da sua vida, mais uma vez. A sua nova escola esperava-a. Os seus novos amigos esperavam-na. A sua nova rotina esperava-a. Então foi aí que o seu despertador tocou, eram 7h07 da manhã. Maria João, na verdade era uma rapariga muito preguiçosa, gostava de passar manhãs bem longas deitada, a pensar e sonhar, nem que fosse acordada. Mas tinha de ser, e custava-lhe muito acordar. Acordou, ainda de olhos fechados, com um gesto rompido, espreguiçou-se lentamente, de maneira a tirar todo o cansaço de cima dela. Logo a seguir levantou-se para desfrutar de um bom pequeno-almoço. Cumprimentou a mãe com um beijo, e com um pequeno cachaço no irmão mais novo, Afonso.
Ele era um rapaz muito bonito, mas muito traquinas, tal como a mãe. Já a Maria João era diferente. A Maria João era bonita, simpática, com cabeça, divertida, um pouco tímida por vezes, mas muito amorosa. Até agora parece muito normal, mas era realmente uma rapariga diferente. Tinha algo especial.
Enquanto a mãe, olhava para os seus dois tesouros exclamou:
Enquanto a mãe, olhava para os seus dois tesouros exclamou:
- Então, preparados?
- Oh sim mãe, estou ansioso por mostrar aos meus novos colegas o meu novo jogo! – Respondeu o Afonso. Já a Maria João não disse nada, apenas sorriu.
- Que se passa, querida? – Questionou a mãe com um ar preocupado.
- Nada mãe, estou só um bocado nervosa. – Respondeu-lhe.
- Oh, porquê meu amor? Não estejas assim, aposto que vais-te dar muito bem.
- I hope so. – Acabou por concluir a Maria João. Ainda estava habituada aos diálogos em Inglês que tinha.
Levantou-se e subiu ao quarto para se arranjar.
Escolheu o seu conjunto preferido, aquele que tanto guarda para saídas importantes. Uns calções de ganga já um pouco usados, umas collants pretas com um padrão de lacinhos, uma t-shirt da sua banda preferida, The Beatles, e um casaco de ganga para combinar com os calções. Para calçado, escolheu as suas vans pretas. Nada de maquilhagem, dizia ela que não gostava, achava que lhe dava um ar superficial, e que não era nada bonito. Também dizia que não lhe ficava bem, escondia-lhe as sardas e dizia ela também que lhe punha a cara cor-de-laranja.
Pronta, pegou no seu lanche que a mãe lhe tinha preparado para hoje, e dirigiu-se para a porta de casa. Ao dirigir-se para o carro, viu duas raparigas, elegantes, bonitas, mas demasiado exibicionistas. Pelo menos, era o que a Maria João achou ao vê-las. Elas do outro lado da rua, também a avistaram, olharam-na de cima a baixo, como se tivesse a avaliá-la. A MJ bem reparou nisso, mas não se deu ao trabalho de ligar, e entrou logo para o carro.
Já em frente da sua nova escola, que não ficava muito longe de sua casa, saiu com o seu irmão, e caminhou até ao portão. Olhava para todos os lados, observava cada indivíduo. Mas mesmo assim, andava encolhidinha pelos corredores, até chegar à secretaria. Bateu à porta e pediu licença para entrar. Dirigiu-se a um balcão e pediu o seu cartão, o seu horário e indicações para a sala. Entretanto tocou, e ela apressou-se, mas estava desesperada! O estabelecimento era enorme, e muito confuso para a cabeça dela, mas, passados uns dez minutos depois do toque, lá ela encontrou a sala. Já ninguém se encontrava à porta, provavelmente já estava tudo dentro da sala, então ela decidiu bater à porta. Ouviu-se uma voz melancólica de uma senhora a dizer «Entre». MJ entrou, envergonhada, olhou a sala de uma ponta para a outra e depois olhou para a senhora que estava lá, que seria a sua professora, e um bocado nervosa perguntou:
- Esta é a sala D5?
- Sim, e presumo que tu sejas a Maria João – Respondeu-lhe a professora.
- Sim, desculpe pelo atraso, sou nova aqui. – Disse envergonhada. E ouviu-se uns risinhos atrás da sala.
- Não tem mal, compreende-se, mas não volta a acontecer, combinado? – A MJ não falou, apenas esboçou um pequeno sorriso e abanou a cabeça a fazer sinal que sim. – Pode-se sentar, ali à beira do Miguel.
Ela olhou para todos os lugares, quando viu um rapaz lindo, de caracóis loiros, com uns olhos azuis claros a acenar, aí deduziu que aquele seria o seu lugar nos próximos tempos, aproximou-se e sentou-se. Olhou para ele e sorriu. Ele sorriu igualmente. E...

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